Ortopedia e Traumatologia da Criança e do Adolescente

AS ORIENTAÇÕES AQUI APRESENTADAS DESTINAM-SE AOS PACIENTES E SEUS FAMILIARES. FOI ESCRITA EM LINGUAGEM LEIGA,
EVITANDO-SE TERMOS TÉCNICOS. EMBORA NOSSA INTENÇÃO SEJA CONTRIBUIR COM INFORMAÇÕES GERAIS, ELAS NÃO SUBSTITUEM
AS ORIENTAÇÕES DADAS PELO SEU MÉDICO, QUE CONHECE OS DETALHES DO SEU PROBLEMA E PODERÁ, DE FATO, REALIZAR
ORIENTAÇÃO EFETIVA E PARTICULARIZADA.

Atraso do desenvolvimento motor

Uma criança à medida que cresce, não aumenta apenas de tamanho e peso, mas adquire novas habilidades, de acordo com seu amadurecimento neurológico e psicológico. Com relação à parte motora, há uma sucessão de eventos que dependem basicamente do desenvolvimento neurológico. É bastante conhecido que primeiro a criança sustenta a cabeça, depois senta, engatinha e anda. Já existe uma expectativa da família com relação à idade em que estes eventos acontecem e, quando demoram, surge ansiedade. Em primeiro lugar, as idades de ocorrência desses eventos são obtidas a partir de uma média e, naturalmente, há crianças mais adiantadas e, outras mais atrasadas, embora normais. Assim, quando uma criança demora a andar, a primeira atitude é constatar se ela realmente está atrasada, ou se é apenas uma variação normal. Para isto existem outros dados de exame da criança que podem ser pesquisados para estabelecer ou não o diagnóstico de atraso no desenvolvimento motor. O pediatra poderá ajudar ou, se necessário, recomendará a avaliação de um neurologista infantil. Se a criança for normal, não há que ficar ansioso para que engatinhe ou ande, pois isto dependerá do amadurecimento neurológico, que acontece do pescoço para os pés. Por isto, a criança, primeiro sustenta a cabeça, depois engatinha, etc. Não é correto forçar a criança a fazer atividades que ela ainda não está neurologicamente preparada somente para satisfazer os familiares. Quando o amadurecimento neurológico ocorrer, a criança desempenhará a atividade que se espera dela.
Se um profissional qualificado constata o real atraso motor, é preciso buscar a causa que pode ser muito variada e cada suspeita exigirá do médico investigações, muitas vezes por meio de exames de sangue, urina, de genética ou de imagens como radiografias e até ressonância magnética.
Se identificada a causa do atraso motor, o tratamento poderá ser direcionado a ela, mas, geralmente, é muito importante, associar tratamento fisioterápico. Isto porque o cérebro tem uma importante propriedade chamada neuroplasticidade que é a capacidade de outras áreas desenvolverem funções extras e, com isto, substituir áreas lesadas e ocorrer melhora ou recuperação da função motora. Esta capacidade é tão maior quanto mais jovem for a criança. Para o desenvolvimento da neuroplasticidade é importante a estimulação global e metódica, seja motora, social, sensitiva, etc.