Ortopedia e Traumatologia da Criança e do Adolescente

AS ORIENTAÇÕES AQUI APRESENTADAS DESTINAM-SE AOS PACIENTES E SEUS FAMILIARES. FOI ESCRITA EM LINGUAGEM LEIGA,
EVITANDO-SE TERMOS TÉCNICOS. EMBORA NOSSA INTENÇÃO SEJA CONTRIBUIR COM INFORMAÇÕES GERAIS, ELAS NÃO SUBSTITUEM
AS ORIENTAÇÕES DADAS PELO SEU MÉDICO, QUE CONHECE OS DETALHES DO SEU PROBLEMA E PODERÁ, DE FATO, REALIZAR
ORIENTAÇÃO EFETIVA E PARTICULARIZADA.

Paralisia obstétrica

A paralisia obstétrica é uma alteração de todo o membro superior (ombro-braço-antebraço-mão) em decorrência da lesão dos nervos por ocasião do parto. Há muito tipos de lesão e com gravidade diferente. Os nervos podem apenas sofrer um leve estiramento e se recuperarem, ou podem chegar à completa ruptura e a recuperação nunca ocorrerá.
Geralmente a paralisia obstétrica está relacionada com partos muito traumáticos, em que não houve possibilidade de planejamento e seguimento do trabalho de parto, em que o médico é obrigado a retirar a criança com urgência para não comprometer o cérebro. Pode acontecer mesmo em cesarianas. O que acontece é que ao nascer, a cabeça da criança pode ficar presa e o médico puxa a criança, causando um estiramento dos nervos que passam do pescoço para o braço.
A criança nasce com o braço “jogado” ao lado do corpo e sem movimentos. Não é somente a paralisia obstétrica que dá esta manifestação e por isso a criança precisa ser avaliada pelo neurologista e ortopedista para confirmar o diagnóstico e programar o tratamento. É difícil prever se a criança recuperará os movimentos ou não. Geralmente pode-se concluir se a lesão é grave ou não.
O primeiro tratamento é deixar o braço da criança em um tipoia, em uma posição de conforto e ter cuidado ao pegar a criança para não forçar o braço. As lesões leves recuperam em 2 a 3 semanas. Neste período pode, também, haver recuperação parcial ou nenhuma recuperação. Estes achados já vão dar indicação da gravidade ou não do caso. Nesta fase é iniciado tratamento fisioterápico e com talas auxiliares para impedir posições viciosas, principalmente da mão e dedos.
Geralmente, até os seis meses de idade já se pode ter uma boa ideia da gravidade e da lesão, pois, após este período ainda ocorre recuperação, mas de maneira incompleta.
Nos casos muito graves, sem recuperação alguma, é aconselhável consultar um ortopedista especializado em cirurgia microcirurgia para ver a possibilidade de uma operação no futuro. Sobre este procedimento ainda há controversa entre os vários especialistas.
Se a recuperação da criança for apenas parcial, há possibilidade de, no futuro realizar cirurgias para soltar os tendões e melhorar a posição e a função do braço.