Ortopedia e Traumatologia da Criança e do Adolescente

AS ORIENTAÇÕES AQUI APRESENTADAS DESTINAM-SE AOS PACIENTES E SEUS FAMILIARES. FOI ESCRITA EM LINGUAGEM LEIGA,
EVITANDO-SE TERMOS TÉCNICOS. EMBORA NOSSA INTENÇÃO SEJA CONTRIBUIR COM INFORMAÇÕES GERAIS, ELAS NÃO SUBSTITUEM
AS ORIENTAÇÕES DADAS PELO SEU MÉDICO, QUE CONHECE OS DETALHES DO SEU PROBLEMA E PODERÁ, DE FATO, REALIZAR
ORIENTAÇÃO EFETIVA E PARTICULARIZADA.

Doença de Legg-Calvé-Perthes

É uma das situações mais intrigantes da ortopedia, pois descrita há mais de 100 anos, ainda não se sabe a causa dela. O que se sabe é que afeta mais o menino na idade escolar (6-10 anos) e há falta de circulação na cabeça do fêmur, o que faz com que a extremidade do osso no quadril morra. O osso morto não suporta o peso do corpo e se achata. Depois de mais ou menos um ano, a circulação volta espontaneamente e o sangue retira o osso morto e o substitui por osso vivo, de modo a formar nova cabeça do fêmur. O problema é que se a cabeça do fêmur se deformou, vai formar uma nova cabeça também deformada e, no futuro poderá haver desgaste do quadril.
Outro problema dessa doença é que ela não dá muitos sintomas e, muitas vezes, o diagnóstico é feito tardiamente, quando há pouco o que se fazer. A criança na maioria das vezes começa a apresentar episódios em que manca, geralmente depois de esportes ou correr e a família atribui o problema a alguma batida que recebeu. A criança se restringe e melhora. Depois, volta a fazer esforço e volta a mancar. Este episódio vai se repetindo. Às vezes, juntamente com a dor, há queixa de dor na virilha ou no joelho e a criança recebe um analgésico e melhora. Outras vezes ela é levada a algum médico despreparado que pensa em reumatismo e pede vários exames que só fazem atrasar o diagnóstico. O exame que deve ser pedido é uma radiografia e fará o diagnóstico, pois mostrará osso morto no quadril. Quando já começa a se desenvolver deformação na cabeça do fêmur a perna atrofia, fecha e fica mais encolhida levando a alteração na postura e na maneira de andar (a criança anda torta e mancando).
O tratamento da doença de Perthes é muito controvertido entre os especialistas e, por isso, deve ser consultado um ortopedista pediátrico com familiaridade com a doença. Geralmente os pais ficam confusos, pois cada médico diz uma coisa. No passado eram usados fisioterapia, aparelhos, etc, mas estas medidas não resolvem. O ideal é tratar a criança antes da cabeça do fêmur achatar. Também, a doença varia muito de gravidade de uma criança para outra. Em algumas ela afeta somente uma pequena parte da cabeça do fêmur e a situação não tem gravidade. Entretanto, quando afeta mais que 50% da cabeça do fêmur, há grande possibilidade de deformação, se não houver tratamento. Outros fatores que influenciam é se a criança é obesa, a idade e o grau de acometimento dos movimentos do quadril. O médico levará tudo isto em consideração para propor o tratamento que poderá ser cirúrgico. O que se faz é mudar o ângulo do fêmur ou mudar a orientação do acetábulo (cavidade da bacia que serve de encaixe à cabeça do fêmur) por meio de cirurgias conhecidas como osteotomias. O objetivo da cirurgia é impedir que a cabeça do fêmur se deforme, ao propiciar a redistribuição do peso do corpo no quadril. Não há tratamento medicamentoso para a doença de Legg-Perthes.
Quando a criança já vem com a cabeça do fêmur deformada como na figura ao lado, o tratamento é muito mais difícil, pois já é uma sequela. Há cirurgias que podem melhorar, mas são muito especializadas e a escolha de um profissional habilitado para realizá-las é essencial.