Ortopedia e Traumatologia da Criança e do Adolescente

AS ORIENTAÇÕES AQUI APRESENTADAS DESTINAM-SE AOS PACIENTES E SEUS FAMILIARES. FOI ESCRITA EM LINGUAGEM LEIGA,
EVITANDO-SE TERMOS TÉCNICOS. EMBORA NOSSA INTENÇÃO SEJA CONTRIBUIR COM INFORMAÇÕES GERAIS, ELAS NÃO SUBSTITUEM
AS ORIENTAÇÕES DADAS PELO SEU MÉDICO, QUE CONHECE OS DETALHES DO SEU PROBLEMA E PODERÁ, DE FATO, REALIZAR
ORIENTAÇÃO EFETIVA E PARTICULARIZADA.

Escorregamento epifisário proximal do fêmur (EEPF)

A cabeça do fêmur tem o formato de uma esfera centrada na ponta do osso (colo do fêmur). Ela é separada do colo do fêmur por uma camada de células de cartilagem que é a responsável pelo crescimento do osso (placa de crescimento). Na adolescência, há grande crescimento em altura (estirão) e também no quadril e, devido a ação de hormônios, pode haver enfraquecimento da placa de crescimento e o peso do corpo vai lentamente deslocando a extremidade do osso de sua posição normal, como se ela estivesse escorregando – daí o nome de escorregamento. Nestes casos o rapaz sente dor não muito forte na região da virilha, às vezes na parte de dentro da coxa e joelho, e manca. Estes sintomas ficam piores após esforço físico. Muito importante é que a perna começa a virar para fora e vai piorando, e esta característica não regride.
Também pode acontecer que a pessoa já esteja sentido alguma dor leve no quadril e, depois de um esforço, geralmente não muito grande, a ponta do osso escorrega de repente, causando muita dor, incapacidade para andar e, imediatamente, a perna fica rodada para fora. É o chamado escorregamento agudo.
Em qualquer da situação o paciente deve ser levado ao ortopedista que fará uma radiografia do quadril e terá condições de estabelecer o diagnóstico e fornecer à família as informações sobre aquele caso em particular. A medida imediata a ser tomada é de repouso absoluto. O tratamento é com cirurgia e o tipo de operação vai depender de quanto que a cabeça escorregou. Se foi pouco, ela pode ser fixada na posição que está com um parafuso, para que não escorregue mais. Entretanto, se o escorregamento for maior, há necessidade de cirurgias mais elaboradas, usando, às vezes técnicas sofisticadas, dominadas por profissionais mais especializados e experientes. Alguns métodos optam por colocar a cabeça do fêmur no lugar por meio de manipulação da perna e fixação com parafuso. Entretanto, esta conduta está sendo abandonada, pois pode provocar danos à circulação da cabeça do fêmur e causar necrose, uma condição de difícil tratamento.
Outra dúvida muito frequente é se o quadril normal também deve ser fixado. Isto porque em até 50% dos casos o quadril do outro lado acaba escorregando mais tarde. Por isso, muitos médicos já preferem fixá-lo já na primeira cirurgia, para garantir que o escorregamento não venha a ocorrer. Entretanto, esta conduta varia muito de profissional para profissional e deve ser discutida com a família.