Ortopedia e Traumatologia da Criança e do Adolescente

AS ORIENTAÇÕES AQUI APRESENTADAS DESTINAM-SE AOS PACIENTES E SEUS FAMILIARES. FOI ESCRITA EM LINGUAGEM LEIGA,
EVITANDO-SE TERMOS TÉCNICOS. EMBORA NOSSA INTENÇÃO SEJA CONTRIBUIR COM INFORMAÇÕES GERAIS, ELAS NÃO SUBSTITUEM
AS ORIENTAÇÕES DADAS PELO SEU MÉDICO, QUE CONHECE OS DETALHES DO SEU PROBLEMA E PODERÁ, DE FATO, REALIZAR
ORIENTAÇÃO EFETIVA E PARTICULARIZADA.

Sequelas de mielomeningocele

A mielomeningocele é uma má formação da coluna em que parte da dos nervos e meninges escapam para fora, formando uma bolsa. Está presente antes do nascimento e o diagnóstico pode ser feito por meio de ultrassom ou análise do líquido amniótico. Com frequência, há importantes alterações nos membros inferiores da criança, caracterizadas por deformações e paralisias.
Assim que uma criança nasce com a mielomeningocele, o neurocirurgião deve operar para corrigir a saculação, principalmente se ela já estiver rompida. Depois, será feita a avaliação ortopédica. As sequelas podem variar muito. Algumas crianças tem problemas só nos pés, outras também nos joelho e ainda nos quadris e coluna. Cada caso deve ser bem avaliado. Geralmente os problemas não se resolvem de uma só vez, mas a criança deverá ser seguida durante todo o crescimento e, provavelmente, será operada várias vezes e terá de usar órteses. Estes casos são complexos e devem ser tratados por uma equipe experiente, composta de vários profissionais.
Embora o que chame a atenção logo que a criança nasce sejam as alterações nas pernas, a criança portadora de sequela de mielomeningocele precisa ser avaliada com relação à parte urinária, pois não tem controle da bexiga e dos intestinos. Assim, tem tendência para desenvolver infecções urinárias e a ter o intestino preso. Geralmente, o mais preocupante é a bexiga, pois se houver infecções urinárias muito repetidas os rins podem ser afetados.
A participação de um urologista é muito importante na equipe que vai tratar a criança. A ele compete fazer avaliações iniciais e seguir a criança. Poderão ser necessários exames do sistema urinário para investigar a presença de refluxo urinário (quando parte da urina da bexiga tem tendência para voltar para os rins) ou outras alterações congênitas. De maneira geral há dois tipos de bexiga neurogênica: uma que não acumula urina e a criança perde urina com freqüência aos menores esforços e, outra, em que a bexiga acumula urina, mas não se esvazia. Neste caso, geralmente, é preciso o uso de sondagens de alívio em períodos de tempo pré-determinados.