Ortopedia e Traumatologia da Criança e do Adolescente

AS ORIENTAÇÕES AQUI APRESENTADAS DESTINAM-SE AOS PACIENTES E SEUS FAMILIARES. FOI ESCRITA EM LINGUAGEM LEIGA,
EVITANDO-SE TERMOS TÉCNICOS. EMBORA NOSSA INTENÇÃO SEJA CONTRIBUIR COM INFORMAÇÕES GERAIS, ELAS NÃO SUBSTITUEM
AS ORIENTAÇÕES DADAS PELO SEU MÉDICO, QUE CONHECE OS DETALHES DO SEU PROBLEMA E PODERÁ, DE FATO, REALIZAR
ORIENTAÇÃO EFETIVA E PARTICULARIZADA.

Sequelas de paralisia cerebral

As sequelas de paralisia cerebral são um conjunto de alterações que afetam primariamente os movimentos da criança e são causadas por uma lesão no cérebro que ocorreu antes, durante ou logo após o nascimento. Podem resultar de prematuridade, de doenças nas mães durante a gravidez (principalmente viroses), nas pré-eclâmpsias, defeitos de formação da placenta ou cordão umbilical, rotura prematura da bolsa, partos prolongados com falta de oxigênio para a criança, icterícia neonatal grave e meningites nas crianças pequenas.
A causa é variada, mas ocorre lesão em uma ou várias partes do cérebro, de modo que há casos mais graves e outros com pequeno acometimento. Dependendo da causa, podem existir outros problemas como crises convulsivas, estrabismo, dificuldade de aprendizado, distúrbio do comportamento, etc.
A manifestação mais precoce da paralisia cerebral é o atraso no desenvolvimento motor e psicológico da criança. Ou seja, demora para sentar, engatinhar, andar, sorrir, falar, etc. Quando a família suspeita que a criança está com atraso, deve levar primeiro ao pediatra e, depois, ao neurologista e, por último, ao ortopedista (veja item 2). Primeiro é preciso confirmar se há mesmo atraso e investigar a causa. O tratamento inicial é fisioterápico. Geralmente há necessidade de tratamento ortopédico mais tarde.
As sequelas de paralisia cerebral variam muito não só em termos de gravidade, como também do tipo de acometimento. Muitas crianças andam, mas algumas gravemente acometidas não terão esta capacidade pelo grau de alteração neurológica e devem ser preparadas para uso de cadeira de rodas.
Vários recursos de reabilitação podem ser usados. Um dos mais importantes é trabalhar com a neuroplasticidade em que, através do treinamento, certas áreas do cérebro são estimuladas a assumir tarefas das áreas acometidas. Geralmente a criança em alguma etapa do tratamento usará de órtese ou será submetida a cirurgias.
Outro recurso que existe é o uso de toxina botulínica que é uma substância é capaz de relaxar os músculos afetados.
Há uma classificação muito importante chamada GMFS em que cada criança é enquadrada, conforme o grau de acometimento. Ela vai de I a V e quanto maior o número, mais importante a sequela. Esta classificação mostra que, nos quatro primeiros anos a maioria das crianças apresenta alguma melhora espontânea, mas, depois, tendem a estabilizar a recuperação. Esta estabilização é tão mais limitante, quanto maior for a gravidade do caso. Depois, novamente, existe uma tendência de piora na época da adolescência, principalmente se existe obesidade associada.