Ortopedia e Traumatologia da Criança e do Adolescente

AS ORIENTAÇÕES AQUI APRESENTADAS DESTINAM-SE AOS PACIENTES E SEUS FAMILIARES. FOI ESCRITA EM LINGUAGEM LEIGA,
EVITANDO-SE TERMOS TÉCNICOS. EMBORA NOSSA INTENÇÃO SEJA CONTRIBUIR COM INFORMAÇÕES GERAIS, ELAS NÃO SUBSTITUEM
AS ORIENTAÇÕES DADAS PELO SEU MÉDICO, QUE CONHECE OS DETALHES DO SEU PROBLEMA E PODERÁ, DE FATO, REALIZAR
ORIENTAÇÃO EFETIVA E PARTICULARIZADA.

Meu filho ou minha filha precisa de uma cirurgia ortopédica. E agora?

A necessidade de uma cirurgia em um filho traz muita ansiedade para a família, qualquer que seja a operação. Entretanto, algumas cirurgias mais corriqueiras como hérnia, amígdalas, são vistas com mais tranquilidade. Com relação a uma cirurgia ortopédica, geralmente as apreensões são maiores, por serem menos conhecidas. Ter um filho que precisa ser operado, naturalmente, causa ansiedade e intranquilidade e isto é normal. O que não é normal é o excesso de ansiedade que começa a interferir na relação médico-paciente e causa um clima de grande intranquilidade, que será assimilado pela criança, que acabará sendo afetada.
Essa situação é amenizada, primeiro pelo esclarecimento completo dos pais pelo médico que deverá orientar e esclarecer todos os temores. Segundo, pela confiança dos pais no profissional que deverá transmitir segurança e tranqüilidade. Terceiro, os pais devem se esforçar para lidar de maneira amadurecida com a situação. Não é raro, nestes momentos de tensão, aflorarem conflitos antigos do casal que só pioram a situação e acabam por afetar a criança. Em minha experiência, pais tranquilos e confiantes com a cirurgia, criança tranquila e confiante e pós-operatório ótimo. O contrário é verdadeiro.
Outra coisa, os pais tem todo o direito de se informarem sobre os detalhes da cirurgia, mas lembrem-se que o médico não tem bola de cristal e não é toda dúvida que poderá esclarecer, pois há sempre um componente de imprevisibilidade em todo tratamento médico. As informações que o médico pode dar tem base em dados de literatura e na sua própria experiência, que, por sua vez, refletem a média dos resultados. Não exijam que seu médico garanta 100% de uma cirurgia, porque ele e ninguém poderá dar essa garantia. Há cirurgias que geralmente dão melhores resultados e outras apresentam maior risco.
Além disso, os objetivos da cirurgia devem ser bem estabelecidos e realísticos. Para algumas alterações, não é possível obter correções completas. Algumas situações requerem mais de uma cirurgia e isto deve ficam bem consciente pela família.
Especificamente em relação à cirurgia ortopédica, não há nada de muito diferente dela em relação às outras cirurgias de outras especialidades e muita apreensão decorre da desinformação. A boa relação médico-paciente, com total confiança da família no profissional, diminui bastante esta situação. A cirurgia ortopédica tem algumas peculiaridades como necessidade de imobilização, repouso, impossibilidade de andar que demandam da família conhecimento e, às vezes, adaptações em casa para o uso de cadeira de rodas, muletas, andadores, etc
Com relação à dor pós-operatória, hoje, pode-se dizer ela é totalmente controlada e muitos pacientes passam por uma cirurgia sem sofrer dor alguma.
A segunda opinião:
Ao receber indicação de uma cirurgia, muitas vezes, a família sente necessidade de uma segunda opinião. O médico que cuida do caso não deve se ofender com isso, mas recomendar aos pais que, se eles quiserem, deverão buscar outra opinião para ajudá-los a decidir. Poderá até indicar outro profissional que tenha o perfil adequado para opinar sobre o caso. O que não deve acontecer é a família fazer pesquisa de opinião consultando vários médicos, pois isto criará confusão. Antes de solicitar uma segunda opinião, a família deve se informar sobre o perfil do profissional, se ele tem experiência com aquele tipo de problema, etc. Também não há necessidade de esconder do médico que houve a procura de uma segunda opinião, pois ele saberá e não deverá se importar. O que não deve ser feito é buscar a segunda opinião e, depois, voltar ao médico original e contrapor tudo o que o outro profissional disse, para que haja uma explicação. Cada médico tem uma abordagem e as dúvidas com um profissional devem ser esclarecidas por ele e não pelo outro.