Setor de Afecções do Pé e Tornozelo do Adulto

AS ORIENTAÇÕES AQUI APRESENTADAS DESTINAM-SE AOS PACIENTES E SEUS FAMILIARES. FOI ESCRITA EM LINGUAGEM LEIGA,
EVITANDO-SE TERMOS TÉCNICOS. EMBORA NOSSA INTENÇÃO SEJA CONTRIBUIR COM INFORMAÇÕES GERAIS, ELAS NÃO SUBSTITUEM
AS ORIENTAÇÕES DADAS PELO SEU MÉDICO, QUE CONHECE OS DETALHES DO SEU PROBLEMA E PODERÁ, DE FATO, REALIZAR
ORIENTAÇÃO EFETIVA E PARTICULARIZADA.

Dor no calcanhar

A dor no calcanhar é ocorrência bastante comum no pé do adulto e mesmo de crianças. Entretanto, as causas são diferentes. Neste texto serão abordadas somente o pé do adulto. A parte de pé da criança deve ser acessada na secção de ortopedia pediátrica, em nossa página.
No adulto, embora a queixa seja a mesma, ou seja, “dor no calcanhar”, há várias causas:
Atrofia do coxim gorduroso. A massa de gordura que fica na planta do pé do calcanhar tem efeito de um coxim, e amortece o impacto do osso do calcanhar quando faz o apoio, ao iniciar o passo. Pode acontecer que este coxim se atrofie, ficando mais fino e expondo o osso ao impacto, o que causa dor na região. O diagnóstico é clínico, mas uma radiografia é útil para examinar o formato do osso e verificar se não há irregularidades na sua superfície de apoio. O tratamento é realizado com a utilização de sapatos adequados e calcanheiras.
Fascite proximal. Esta é a forma mais frequente de dor no calcanhar no adulto de meia idade. O sintoma é típico: surge dor na face interna do calcanhar que é mais forte quando a pessoa começa a andar, após um período de repouso como ficar mais tempo sentada ou após dormir. A dor piora e, geralmente, quando a pessoa busca ajuda médica já tem vários meses de duração. Esta dor é que o leigo chama de “esporão do calcâneo”, mas nada tem a haver com o esporão que é muito comum no pé da maioria das pessoas acima dos 50 anos e que não doi. O que doi é a fáscia que é uma membrana resistente que existe na planta do pé e se origina no calcanhar, onde se inflama.
O diagnóstico de fascite é clínico. Embora a fáscia não apareça no rio-X, uma radiografia é útil para excluir outras alterações que podem dar sintomas semelhantes. A fascite pode estar associada ao aumento do ácido úrico principalmente na mulher após a menopausa e no homem, em qualquer idade. O ultrassom é um bom exame e, geralmente mostra uma fáscia engrossada, com pequenas rupturas e irregularidades. Não há necessidade de ressonância magnética. O tratamento é com fisioterapia, com aplicação local de laser, ultrassom, alongamento e calcanheira ou sapatos apropriados. Mesmo assim, a dor demora a passar.
Fascite nodular. Surge dor na planta do pé, mas na região do arco plantar, mais longe do calcanhar. Com freqüência, palpam-se saliências dolorosas. O tratamento inicial é fisioterápico e, se não melhorar, deve ser feita cirurgia.
Exostose no calcâneo. São saliências ósseas nas regiões posterior ou lateral do calcanhar, onde se desenvolvem calosidades dolorosas com o uso do sapato. Podem estar presentes em qualquer idade, mesmo em crianças. O diagnóstico é clínico, pois o aspecto das saliências é típico. Surge muito nos atletas corredores. O tratamento varia e deve-se identificar o que está causando o problema: se é um formato alterado do osso, se é uso de sapatos inadequados, ou treinamentos impróprios e exagerados. Conforme a causa, faz-se tratamento local, orienta-se o uso de calçados adequados e, em último caso, podem-se remover as saliências ósseas por meio de uma cirurgia simples, que dá bons resultados.
Tendinite crônica do Aquiles. O tendão de Aquiles é uma grande estrutura que se insere no calcanhar, sendo visível na região posterior do pé. Ele transmite grandes forças dos músculos da perna para o pé e, muitas vezes, pode se inflamar, dando uma tendinite. Há vários tipos de tendinites: umas atingem o tendão na sua região central, outras na sua inserção no osso do calcanhar e, outras, são provocadas por traumatismos pequenos de repetição, que são causados por uma saliência na parte de dentro do calcanhar, chamada doença de Haglund. O que todos sentem é dor na região afetada do tendão, que vai aumentando e é piorada quando se anda ou se corre. Geralmente, a pessoa demora bastante para consultar, mas percebe que o problema vai piorando. O que acontece é que o tendão vai se alterando e sofre desgastes que podem levar ao rompimento. Neste caso, a pessoa tem uma dor súbita e muito forte, rapidamente o tornozelo incha, fica escurecido pelo sangue acumulado e fica difícil apoiar o pé e dar passos.
Há necessidade de uma avaliação ortopédica detalhada para se identificar o tipo de tendinite e o estágio da doença. Para isso, usam-se radiografias, ultrassom e, às vezes, ressonância magnética. O tratamento não é simples, mas não se deve infiltrar o tendão, pois isto o enfraquece mais. Geralmente o que consegue recuperar o tendão e tratar a dor é a cirurgia que varia conforme o caso. Não se deve esperar muito tempo para operar, pois isto compromete o resultado da cirurgia e, jamais se deve esperar o tendão romper, pois, neste caso, o tratamento já é de uma complicação.
Tendinite aguda do Aquiles. Surge em pessoas mais jovens e esportistas. Representa um excesso de esforço do tendão e, geralmente, há apenas inflamação que é tratada com repouso, medicamentos e fisioterapia.